Website do ator, psicólogo e manager e Rafael Santin. Pai da linda Maria Eduarda. Estuda artes dramáticas no Conservatório Carlos Gomes. Atualmente está na produção da "Revolução na América do Sul" de Boal e direção de Abílio Guedes. Tem tatuado em árabe, sua filosofia de vida: Em Nome de Deus, O Clemente, O Misericordioso

Os Prazeres da Vida oFale Conosco  

Quarta-feira, Dezembro 24, 2003
Oi Pessoal...



Essa noite mais uma vez, paira no ar um sentimento de solidariedade, de amor e esperança em novos dias. Esse tempero que a todos embriaga há dois mil, é a celebração da cristandade diante do apelo maior do Deus-Menino que a todos veio salvar com o sacrifício do Calvário. É uma questão de fé que há tanto tempo vem tangendo os corações das pessoas de boa vontade.

O marketing do comércio aos poucos fez com que a figura do Papai Noel fosse se sobrepondo à de Jesus e ao significado de seu nascimento. As crianças pensam em primeiro lugar no bom velhinho por causa da questão consumista, porque a roda do comércio precisa caminhar puxando o carro da produção. Entretanto, com pouco de boa vontade e dessa necessidade que as famílias vão tendo de percorrer de volta o caminho da espiritualidade, nesse novo tempo que chega de desafios e de incógnitas, dá para conciliar Jesus com Papai Noel, a manjedoura com o pinheirinho de Natal, a oração com o júbilo pelos presentes recebidos.

O Natal deve ter como significado maior a busca da fraternidade e do perdão entre as pessoas, a paz na família, o abraço sentido no toque da emoção de reencontros, porque só se justifica viver quando se reparte o mesmo pão, o mesmo teto e a mesma magia do amor. Essa é a mensagem que há dois mil anos os anjos vem cantando no céu de nossa existência e reviver a emoção é preciso.



E uma das melhores histórias que Hollywood já produziu com a pureza desse assunto é "A Felicidade não se Compra" (1947) de Frank Capra. História essa que subestimei por muitos anos, até me render e resolver conferir se tantos elogios eram verdadeiros. A primeira vez que assisti "It's a Wonderful Life " (título original do filme que significa "É uma vida maravilhosa"), foi no natal de 1999, e ainda sobre o efeito da emoção e do clima natalino, passei a amar essa verdadeira obra-prima.

Essa é a história de um Espírito desencarnado, candidato a Anjo que, para ganhar suas asas, recebeu a missão de ajudar um valoroso empresário que, em virtude de um grave problema financeiro, provocado por um desonesto banqueiro, tinha a intenção de se suicidar



O aspirante a Anjo foi encontrá-lo na véspera do Natal, à noite, prestes a saltar de uma ponte nas águas geladas de um rio. Fazendo-se visível e se identificando como anjo, falou de sua missão e sem nenhuma pretensão de demovê-lo da idéia, comentou que seria um desperdício, porque ele era muito importante para muita gente. Ante o ceticismo de seu protegido, que se sentia um fracassado, o amigo espiritual mostrou-lhe varias situações que teriam acontecido se não fosse sua interferência. A morte do irmão, a tristeza da esposa, a situação lastimável de sua cidade entre outras.

Eu choro toda vez que assisto "A Felicidade não se Compra" e convido todos a assistirem essa maravilhosas obra de arte, que principalmente nessa época do ano, se torna mais linda e especial.



UM FELIZ NATAL...
BEIJOS RAFAEL !!!


Terça-feira, Dezembro 23, 2003

Oi pessoal...

Atendendo a pedidos dos nossos leitores, segue umas fotos do nosso grupo momentos antes da 1ª apresentação de Cacilda Becker no dia 03/12 e outra do dia 04/12.

A pergunta que não quer calar é: Eu estava mais negão no 2º dia?



Beijo à todos,
Rafa!!!


Sábado, Dezembro 20, 2003

Pessoal... Boa tarde!!!

Algumas pessoa me procuraram pedindo que eu escrevesse um pouco sobre música. Eu particularmente não me considero um expert no assunto, embora gostaria. Mas aproveitando o fim-de-ano, resolvi publicar os melhores de 2003.

Quando se fala em escolher os melhores, seja lá de qual segmento for, sempre temos muita polêmica. Sendo assim, espero que vocês vejam essa lista como sendo os meus melhores momentos de 2003 e quem quiser, pode incluir seus prediletos nos comentários.

Álbuns Nacionais



# 01. Maria Rita - (Maria Rita)

Após uma longa espera, enfim, o álbum de estréia da cantora Maria Rita, filha de uma das maiores intérpretes da MPB, Elis Regina, chegou as paradas. No repertório estão presentes canções de Marcelo Camelo, Rita Lee, Lenine, Zélia Duncan, entre outros. O destaque fica por conta da faixa "A Festa", um presente especial de Milton Nascimento que no último dia da turnê "Pietá" no Canecão, tirou do bolso um pedacinho de papel escrito à mão onde estava a "A Festa" e entregou a Maria Rita. Definitivamente, vale a pena conferir.

Melhores faixas: "A Festa", "Santa Chuva" e "Dos Gardenias"

# 02. Nando Reis - (A Letra A)

Nando Reis é um compositor que ficou escondido - e protegido - do público geral pelos Titãs, primeiramente, e depois por Cássia Eller. A parceria dele com a cantora, em que um era o preferido do outro, rendeu ótimos frutos para a cantora e uma maior confiança do artista. Com a morte de Cássia, Nando perdeu a intérprete e ganhou olhos mais atentos do público, principalmente depois de ter deixado os Titãs por divergências musicais. Agora, com seu novo disco "A Letra A", Nando protege sua voz de tom sossegado sob as melodias que compõem. Essas servem de defesa para a sua poesia musical de predileções românticas, com pitadas de sofrimento e auto-indulgência, com grande potencial entre aqueles que gostam de canções baseadas em voz e violão. O disco conta ainda com a participação especial de Peter Buck, guitarrista do REM, tocando violão de 12 cordas.

Melhores faixas: "De Mãos Dadas", "Dentro Do mesmo Time" e "Tudo Mais"

# 03. O Rappa - (O Silêncio Q Procede o Esporro)

O grupo carioca Rappa foi formado em 1993, com forte influência do movimento Mangue Beat e uma mistura contagiante de ritmos como rap, hip hop, samba, rock e reggae. Conquistaram seu lugar ao sol e, depois de 2 anos sem músicas inéditas, eles retornam com "O Silêncio Q Precede o Esporro". São 11 músicas, textos e muita poesia de Waly Salomão. As 10 faixas sem título são arranjos, textos e poemas, mixados às faixas musicais, o que torna o CD sem paradas!

Melhores faixas: "Reza Vela", "Deus lhe Pague", e "O Salto"

Álbuns Internacionais



# 01. Cerys Matthews - (Cockahoop)

Para quem pensava que o destino da ex-vocalista do Catatonia era incerto, Cockahoop veio para provar o talento da garota. Com o fim do grupo, pegou suas malas e foi para Nashville, interior dos Estados Unidos, para gravar o seu primeiro disco em carreira solo. Repleto de influências de folk e country music, a garota de voz marcante apresenta um trabalho diferente para aqueles que a conheceram em hits como: "Road Rage", "Mulder and Scully", "Strange Glue", entre outros.

Melhores faixas: "Only a Fool", "Chardonnay" e "Ocean"

# 02. The White Stripes - (Elephant)

Antes mesmo de terem recebido uma indicação de melhor disco do ano na última edição do Grammy, a dupla já vinha recebendo críticas positivas de vários especialistas. E não é a toa. Elephant consegue mesclar melodias pesadas e com sonoridades que remetem o estilo do blues ("In The Cold, Cold, Night" com Meg White nos vocais), punk ("Black Math") e rock de garagem ("Girl, You Have No Faith In Medicine"). E tudo isso, dentro de um mesmo trabalho.

Melhores faixas: "Black Math", "I Want To Be The Boy" e "The Hardest Button To Button"

# 03. Lisa Marie Presley - (To Whom It May Concern)

To Whom It May Concern é o disco de estréia de Lisa Marie Presley. Sim. A filha de Elvis, ex de Michael Jackson e Nicolas Cage, dá as caras no mundo da música. Mas, caso você sabe apenas isto sobre ela, é capaz de se surpreender com a voz e talento da moça. Recheado de melodias pop/rock, Lisa segue os passos do pai e tem um bom posto garantido na música, devido a forma que sua voz harmoniza aqui com os arranjos produzidos.

Melhores faixas: "Sinkin´ In", "Important" e "The Road Between"

E para encerrar, não poderia deixar de falar da escolha da APCA, que elegeu os melhores de 2003 no cinema, televisão e teatro. Foram cerca de 70 críticos de artes dos principais veículos de São Paulo, todos associados da Associação Paulista de Críticos de Artes, a APCA, que elegeram

Cinema Nacional - O melhor filme foi O Homem Que Copiava, de Jorge Furtado. Amarelo Manga ganhou na categoria de direção (Cláudio Assis) e montagem (Paulo Sacramento). O melhor ator foi Wagner Moura, por Deus É Brasileiro, e a melhor atriz, Simone Spoladore, por Desmundo. Na categoria de documentário, o contemplado foi Nelson Freire, de João Moreira Salles. O melhor roteiro foi o de Separações, de Domingos de Oliveira.

Televisão - O Grande Prêmio da Crítica foi para a minissérie A Casa das Sete Mulheres. Na categoria de humor, o vencedor foi o Rock´n Gol, da MTV. O melhor programa foi Cena Aberta, da Globo. Melhor ator: Dan Stulback, por Mulheres Apaixonadas. Melhor atriz: Nívea Maria, por A Casa das Sete Mulheres. Revelação do ano vai para o programa Pânico, de Rede TV. João Gordo, da MTV, foi escolhido como melhor entrevistador.

Teatro - Os críticos da área teatral decidiram-se por uma inovação. Escolheram seis espetáculos, que consideraram os melhores e premiaram todos eles com o troféu da APCA de melhor peça. Assim, os seis premiados são os espetáculos Mire Veja (Cia. do Feijão), A Morte de um Caixeiro-Viajante (Felipe Hirsch), Otelo (Folias D´Arte), A Paixão segundo G.H. (Enrique Diaz), A Poltrona Escura (Roberto Bacci) e Os Sertões, o Homem e a Terra (Zé Celso Martinez Corrêa). O júri escolheu também a atriz Cleyde Yáconis (a irmã da nossa querida Cacilda Becker) para receber o Grande Prêmio da Crítica, pelo conjunto de atuações.

Espero que tenham gostado.
Um beijo para todos, Rafa!!!


Segunda-feira, Dezembro 15, 2003



A apresentação da noite de ontem do espetáculo Gota D' Água, concluiu com méritos mais do que merecidos, o trabalho de formatura da trupe do 3º ano do CCG 2003. A sensação de quem estava na arrojada platéia era unânime: um trabalho de tamanha qualidade não pode terminar sem presentear por mais tempo a nossa cidade.



Eu assisti a "Gota" na concorrida estréia e hoje pela segunda vez e além de poder ver os atores mais soltos e seguros no palco, esta última apresentação conseguiu arrancar mais lágrimas dos atores do que da emocionada e chorosa platéia. Com um clima de despedida no ar e aquela sensação de dever cumprido, as tensões enclausuradas por tanto tempo vieram a tona e o que se viu, foi uma empatia entre texto e elenco de arrepiar.



Para quem não viu (eu vi... 2x) e não está conseguindo visualizar o por que de tantos elogios eu vou explicar:
Porque eu sou "macaca de auditório" desse grupo mesmo.
Imaginem um cenário 360º, que envolve o público bem no centro e te transporta para (literalmente) o meio de uma favela.
Um texto provocante e tenso, com músicas cantadas ao vivo a 2 metros de você.
Uma história que sarcasticamente nos identificamos, tanto no aspecto político social, quanto interior e pessoal.
Um elenco afiado de 21 talentosos atores, capazes de segurarem por mais de 1:40h a platéia presa e imóvel na cadeira.
Texto de Paulo Pontes, músicas de Chico Buarque e direção de Abílio Guedes.

Mais do que parabéns a todos do elenco, produção e técnica, devemos agradecimento pelo prazer de assistir um espetáculo de exuberante bom gosto e um pedido especial: Não deixem essa ser a "Gota D' Água" !!!

Um beijo à todos,
Rafa!!!


Terça-feira, Dezembro 09, 2003

Hello...



Acho que movido pela tristeza, demorei para escrever esse último capítulo dos acontecimentos que envolveram CACILDA BECKER. O mais gratificante, foi fazer parte de um trabalho que satisfez a todos que estavam envolvidos (alguns de maneira mais completa, outros de maneira mais modesta). Enfim... o objetivo de homenagear Cacilda foi alcançado...

Como sempre é difícil de se livrar da "galinha dos ovos de ouro", existem rumores de que CACILDA BECKER voltará em 2004 para mais algumas apresentações. Se isso realmente acontecer... nossos esforços poderão ser mais uma vez recompensados, com o aplauso da platéia...

Para encerrar, fica a expectativa de 2004: Dias Gomes??? Jorge Amado??? Chico???

Qual você prefere? Deixe seu comentário sobre qual texto devemos montar ano que vem.

Abraços,
Rafa!


Quinta-feira, Dezembro 04, 2003

Oi gente...



Vou escrever rápido, porque estou demais ocupado, mas não posso deixar de escrever esse 4º capitulo dessa série semanal CACILDA BECKER. Nesse penúltimo episódio, muita emoção. A noite de ontem foi inesquecível para toda a Equipe de CACILDA BECKER. Ainda sob efeitos da emoção, parece que tudo saiu como queríamos e o mais importante, acho que o público gostou!

Foi uma expectativa diferente... Isso porque não teve correia nem nervossísmo exacerbado, estávamos calmos e Tranquilos!

16h o teatro estava limpo, cadeiras postas, cenografia meticulosamente posta na coxia. Enfim, tudo pronto e arrumado.

17h o hall de entrada estava personalizado com nossos elementos cênicos, cartazes de agradecimento, apoio cultural, marketing das demais peças do Conservatório e iluminação em perfeita harmonia.

18h todos os atores já tinham chegado e estavam todos nos camarins se arrumando (sem tumulto e correria), uns estavam deitados descansando, outros sentados se concentrando. Algumas rodas de conversa e piadas.

19h estava praticamente tudo pronto, figurinos, maquiagens nos retoques finais... e pertubadoramente, tudo bem! Pertubadoramente porque parecia estar tudo bem. Mas como? Era a tão aguardada estréia e se não fosse por aquele incomodo frio na barriga, parecia que já fazíamos aquilo a uns 17 anos, pelo menos!
O clima no ar era o mais propício possível para que tudo fosse perfeito.

19:45h, o Abílio reuniu todos para a "preleção" e impecavelmente encerrou dizendo, que acima de tudo, o espetáculo era em homenagem a Cacilda. Um grito final de todos e abraços de força encerraram tudo o que poderia ser feito...

20h terceiro sinal e Luzes da Ribalta...

21:30h... alguém deve estar de sacanagem! Todas as emoções de nervossísmo, choro, medo e gritaria que deveriam ter acontecido antes, começaram segundos após o blacout final!!!

Agradecimentos, não podem faltar né?!?!
Aos nossos mestres, que pareciam neurocirurgiões no tratamento calmo e sereno conosco, para que ninguém ficasse nervoso ou estressado momentos antes.
A Equipe Técnica formada pelos alunos do 3º ano, que com muito bom humor e prestatividade, nos ajudaram no que foi necessário.

Beijos à todos,
Rafa!!!


Quarta-feira, Dezembro 03, 2003
Oi Pessoal...



Hoje, 03 de dezembro de 2003, as 20h, no teatro do Conservatório Carlos Gomes, será o tão aguardado dia para o 1º ano do CCG.
A apresentação da CACILDA BECKER além de uma realização pessoal para nós, é uma maneira bastante especial de conseguirmos driblar as dificuldades para a realização de arte no país.

Ao todo foram 123 dias de elaboração, 31 textos para o elenco e produção,
27 atores, 1 coordenador cênico, 1 auxiliar de coord. cênica, 1 iluminador,
1 agulha de bordar, 4 alianças, 1 árvore, 2 aventais, 2 bancos, 1 barba falsa,
1 barriga falsa, 2 bengalas, 1 bermuda, 4 blusas, 1 boina, 4 botas, 1 botina,
3 cadeiras, 1 caixa de fósforo, 3 caixotes de madeira, 17 calças, 1 cama,
1 camafeu, 13 camisas, 1 canivete, 1 capa, 1 carriola, 5 cartazes promocionais,
1 cartola, 1 casaco, 1 CD com 17 faixas de músicas e sonoplastia, 8 chapeis,
1 chicote, 1 colar, 7 coletes, 4 copos, 1 corcunda falsa, 0,5 coreto,
17 crachás para equipe técnica, 1 espingarda, 1 estola, 2 facas,
1 espanador, 500g de pan cake, batom, sobras e demais maquiagens,
1 faixa de boas vindas, 2 faixas de cabelo, 3 fraque, 1 frasco com sangue cênico,
1 garrafa de whisky, 4 gravatas, 2 guarda-chuvas, 1 habito de freira,
2 imagens de santos, 200 ingressos, 1 isqueiro, 4 lenços, 5 litros de tinta,
1 livro, 1 maço de cigarro, 2 malas, 1 mancebo, 3 mesinhas,
2 óculos, 4 paletós, 5 par de meia calça, 14 pares de brincos, 2 pares de chinelo,
3 pares de luvas, 15 pares de meia, 12 pares de sapatos, 4 poltronas,
1 porca de porcelana, 1 porta-retrato, 210 programas promocionais,
7 pulseiras, 1 relógio de bolso, 25 revelação de fotos promocionais,
8 rodinhas, 1 rolo de esparadrapo, 1 rolo de fumo, 1 rolo de gaze,
2 sacos de arroz, 2 saias, 3 sandálias, 1 Santo Antônio, 1 sobretudo,
1 suspensório, 1 tapete, 2 tayeres, 1 terço, 2 tiaras,
30 tipos de jóias em geral (tudo biju), 4 toalha de mesa, 3 vasos de planta,
1 vassoura, 1 vela de 7 dias e 8 vestidos...

Enfim... para muitos pode parecer bobagem... mas para nós é coisa séria!!!
Espero que todos se divirtam nesses dois dias, porque se não for para essa finalidade, não valerá a pena.

Beijos à todos,
Rafa!!!


Terça-feira, Dezembro 02, 2003
Oi Pessoal...



Hoje é o dia do nosso "ensaio geral". As 19:15h em ponto começará a nossa última chance de aparar as arestas.
O ensaio de ontem, parece que apresentou uma melhora com os da semana passada. Principalmente as narrações...

O pessoal do conservatório está parecendo aquelas formigas de desenho animado, nas vésperas do inverno, correndo de um lado para o outro para deixar tudo pronto, antes que comece a cair a neve... quer dizer que comece o espetáculo...

Bom... todo mundo já sabe que é amanhã e quinta... não percam... é de graça!!!

Beijos,
Rafa!!


Segunda-feira, Dezembro 01, 2003

Oi queridos...



Hoje começaremos a reta final para nossa prova cênica de fim de ano.
Além do ensaio de hoje, teremos o de "Ensaio Geral" de amanhã e ai... luzes da ribalta!!!

É hora de todos estarem cada vez mais unidos, para que tudo de certo!!!

Beijo à todos, Rafa!!!


Domingo, Novembro 30, 2003
Hello Folks...

Consegui hoje uma foto que eu gosto muito. Ela foi tirada na nossa 1ª prova cênica no final do 1º semestre desse ano.
Nós tínhamos apresentado uma adaptação do "Velório a Brasileira" de Aziz Bajour e o grupo que montamos foi muito legal de trabalhar (eu, Thamy, Sidney, Danielly, Tiago e a Gisele). Isso porque além de não rolar stress entre agente e darmos muitas risadas nos ensaios, foi uma ótima oportunidade de conhecer melhor essas pessoas que hoje considero muito.

Tá!! Até ai tudo bem!! Quando acabou a apresentação de todos os grupos, montamos uma cena rápida na anti sala do teatro, para que o público tivesse um bônus final da noite. De repente... quem sai do teatro? Nosso Yoda... quer dizer... o Abílio. Não conseguimos conter o entusiasmo e após uma rápida e incisiva abordagem ele estava ao nosso lado pronto para tirar uma foto conosco e... Spammm...

Pronto!! Tiramos a foto, mas o grande problema dela, é que mesmo eu estando nitidamente visível, eu praticamente desapareci desse registro (e o Tiago também). Isso por que quem vê a foto da esquerda para a direita vai fazendo o seguinte raciocínio na cabeça:
"Olha que legal! A Thamy, o Sidney, a Gisele, a Dani... O QUE??? O ABÍLIO??? VEJAM... É O ABÍLIO!!!"


Thamy Quintanilha, Sidney Laranjeira, a Gisele Walters, a Danielly Borges e... o que? O Abílio?

Ou seja, o dedo corre direto para cima dele e ninguém me vê, assim como o mineirinho!
Mas tudo bem! Adorei esse dia, adorei esse grupo, adorei essa foto!!!
E até o final do ano vou tirar várias fotos... isso porque sou macaca de auditório desse grupo!!!

Um beijo,
Rafa!


Sábado, Novembro 29, 2003
Oi gente!!!

A sexta-feira foi um dia marcante para mim onde trabalho. Estamos no meio da organização de uma campanha motivacional com a Equipe e eu acho que pelo fato de gostar tanto deles que a minha inspiração acaba fluindo mais naturalmente. Sabe como é, né? Quando você gosta do que faz e gosta de onde está, você acaba se tornando mais criativo e produtivo...



A minha curta experiência como gestor, me diz que uma campanha de motivação não pode simplesmente ter um começo bem elaborado e um final previamente traçado. Ela precisa ter um recheio... é isso mesmo... não é o meio... é o recheio. Tão saboroso quanto um recheio de bolacha, salgado ou sanduiche. Afinal de contas, é o recheio que nos deixa com água na boca.

O nome da campanha é Galeria da Fama, porque queria reforçar os "talentos" que tenho o prazer de trabalhar diariamente, e para esse recheio, eu queria trazer uma celebridade para visitar a Equipe. Tinha que ser alguma celebridade famosa, que deixase eles felizes e de boca aberta. Mas também precisava ter "valor agregado". Não adiantava ser um artista famoso do momento, que não acrescentasse nada de valor para eles. Precisava ter "valor agregado", alguém que tivesse algo a dizer apenas com sua imagem e presença. E em meu devaneio... não tive dúvidas... porque não o Beethoven do Giovannetti.

Claro!!! Por que não? Ele é super famoso e querido na cidade. Tem identificação direta com os jovens que frequentam o Giovannetti. E principalmente: tem "valor agregado". Isso porque uma casa igual ao Giovannetti, tem as pencas em Campinas. E todas tem o mesmo produto: Chop, cerveja, lanches, aperitivos e etc... Mas o que diferencia a casa, é exatamente o tipo de atendimento mais humano, carismático e de qualidade e o Beethovenn é a personificação desse conceito. É a imagem viva desse diferencial. E assim como o Giovannetti, a minha empresa tem concorrentes que oferecem o mesmo tipo de serviço, mas é esse "valor agregado" que tem que estar presente constantemente.

E acreditem... ele foi! Depois de alguns dias de negociações, internas e com a equipe de relações públicas do Giovannetti, ele chegou e devo confessar que não podia imaginar o que estava para acontecer quando ele desceu do seu carro.


No exato momento em que ele entrou no estacionamento e se preparava para subir o prédio rumo a nossa Equipe, um e-mail disparado para toda a empresa comunicou a surpresa. Foi uma loucura!!! A empresa parou para ver o Beethovenn. Nunca vi tanta gente dentro do nosso andar. Acho que gente que nunca foi lá, correu para saber se era verdade. E o melhor é que era!

Uns queriam abraça-lo, tirar foto. Outros ficavam de boca aberta pensando "O Beethovenn está no meio do escritório... eu devo estar sonhando". Em em meio a tanto empurra-empurra a nossa celebridade soltava uns AU!!! AU!!! (com exclamação e tudo... porque sabia que estava sendo a atração da festa).

Não tenho palavras para dizer o quanto fiquei feliz e surpreso com tudo isso. Jamais imaginaria que isso daria tamanha movimentação. Espero que tenha atingido a Equipe da maneira que concebi inicialmente.

Agradecimentos não poderiam faltar. Em primeiro lugar, a Juliana Soares que correu com tudo para isso dar certo. A Verônica e a Fabiana da área de marketing do Giovannetti, que com MUITO BOM HUMOR compraram essa idéia maluca e ainda nos presentearam com um delixioso almoço no Giovannetti V. E ao Pinheiro, que é o adestrador do Beethovenn, que com muita disposição aguentou todo o assédio do pessoal. Quem quiser saber mais sobre o trabalho dele comom os cães pode acessar seu site Sede Dod.

Um beijo a todos,
Rafa!


Quinta-feira, Novembro 27, 2003

Oi pessoal...


Essa semana eu aluguei cinco filmes clássicos que eu queria rever. Eu andava meio deprimido de assistir filmes inéditos sem o menor conteúdo. Então apelei para os mestres.

O primeiro que eu assisti foi Intriga Internacional e escrever sobre um filme de que eu gosto muito, sempre foi muito complicado mim. Não sei bem o que falar sobre Intriga Internacional. Posso dizer que ele é o equilíbrio exato entre diversão, técnica e conteúdo. Posso escrever aqui também que a direção de atores é perfeita e que o sarcasmo do diretor aparece em todas as falas de Cary Grant, ancorado por coadjuvantes impagáveis, como a doce e duvidosa Eva Marie Saint, o cínico e cerebral James Mason, o macabro Martin Landau (que está sublime) ou a deliciosa Jessie Royce Landis, que merecia ter concorrido ao Oscar. Posso falar ainda que tem uma das seqüências mais espetaculares da história do cinema (a da perseguição no milharal). Se eu escrever ou falar isso tudo, eu usarei muitos adjetivos. E texto com excesso de adjetivos prejudica a assimilação da informação, que fica bastante questionável.



Intriga Internacional talvez tenha sido a minha melhor Sessão da Tarde (...sim, eu vi Intriga Internacional na sessão vespertina da Rede Globo - no tempo em que isso significava diversão bem feita e inteligente). Mas seria muito saudosismo e como sempre me acusam de usar a memória afetiva para falar dos filmes, melhor não. Bem, eu não me envergonho nem um pouco de ser nostálgico, nem acho que nos meus comentários pessoais - afinal, ninguém está me pagando nada - eu precise ser conciso, correto, objetivo e imparcial. Então, o que eu devo escrever? Será que seria o caso de lembrar da câmera espertíssima de Alfred Hitchcock. Mas o cara fez Janela Indiscreta e tem aquele plano da escada do Psicose... É, acho que esse não é o caminho.

Acho então que eu vou mais é ficar calado. Até porque o Hitchcock não precisa de nenhum texto meu para falar que seus filmes são bons. A certa altura de Intriga Internacional, o público está provavelmente tão perdido na história quanto o personagem vivido por Cary Grant. Então, o cineasta se encarrega didaticamente de inserir no filme uma seqüência cujo maior objetivo é o de "recuperar" alguns detalhes para o protagonista ¿ e também para o espectador. Lembre-se, no entanto, que o segredo de Hitchcock não consistia apenas dessa espécie de formula, simples de compreender mas difícil de executar. Humor, religião e sexo eram alguns dos principais elementos que costumavam rechear suas tramas e contribuíam para o envolvimento da platéia.



Existem duas maneiras de se analisar a filmografia de Alfred Hitchcok: habitualmente, seus filmes variavam sobre o cidadão comum envolvido em situações além de sua compreensão, ou tramas intrincadas com toques macabros - com um fino humor negro. "Intriga Internacional" é um road-movie aventuresco com um impecável Cary Grant tentando descobrir o que houve com sua vida pacata agora envolta em espiões internacionais, chantagem e perseguições. Hitchcok para ontem, hoje e sempre.

E Intriga Internacional, pela trama maravilhosamente intrigante de Ernest Lehman, pela música hipnótica de Bernard Herrmann, pelos atores, pela direção, é muito mais que bom, é simplesmente, genial.

O que você ainda está esperando? Corre para a locadora!!!
Um beijo, Rafa!


Domingo, Novembro 23, 2003

Good Night People...

Antes de acabar oficialmente o final-de-semana, atendendo a pedidos... segue a música que abrirá o nosso espetáculo: Luzes da Ribalta.
Para quem não estava no ensaio com o Abílio quando ele revelou que usará a música, Luzes da Ribalta é considerado o hino do teatro.

A música foi composta pelo genial Charles Chaplin em 1952, como integrante da trilha sonora do filme Limelight (Luzes da Cidade). Este filme tive a oportunidade de assistir no Telecine Classic, porque ele era inédito em vídeo no Brasil. Até que esse ano, com o lançamento de um BOX com oito DVDs de Charles Chaplin, a Warner nos deu o prazer de ver essa belíssima obra toda restaurada em DVD.

Limelight (1952), narra a impossível história de amor entre Calvero, um grande palhaço em decadência, e Theresa, uma jovem bailarina que triunfa depois de superar uma tentativa de suicídio. Antes deste filme, cuja duração supera duas horas, Chaplin nunca tinha feito com que o seu público chorasse de forma tão direta, nem colocado tão explicitamente o lado mais amargo da difícil arte de fazer rir.



Constantemente a televisão faz questão de dizer o quanto o Oscar menosprezou os filmes de Chaplin e só lhe deu um Oscar Honorário em 1972, pelo conjunto de sua obra, deixando de lado a premiação de melhor filme e diretor para trabalhos antológicos do mestre. Porém, o que ninguém publica, é que em 1952 Chaplin ganhou o Oscar de melhor música com Limelight (que é originalmente composta apenas por instrumentos).

O filme ainda nos brinda com Charles Chaplin dividindo o palco em uma breve, mas inesquecível parceria com seu grande contemporâneo, Buster Keaton. Gente... Chaplin e Keaton... corre para a locadora!!!



Abaixo, segue letra da música na versão em português:

Luzes da Ribalta
Vidas que se acabam a sorrir
Luzes que se apagam, nada mais
É sonhar em vão tentar aos outros iludir
Se o que se foi pra nós
Não voltará jamais
Para que chorar o que passou
Lamentar perdidas ilusões
Se o ideal que sempre nos acalentou
Renascerá em outros corações


Quem quiser eu posso enviar por e-mail o MP3 da versão original e em português.
É só solicitarem por e-mail.

Um beijo à todos,
Rafa!


Domingo, Novembro 23, 2003
Hello Folks...

Sábado quando cheguei no Conservatório pela manhã, recebi a GRANDE NOTÍCIA de que os médicos liberaram a Thamy para participar das nossas apresentações dia 03 e 04 de dezembro. Estrela é assim mesmo... faz charme em cima da hora do espetáculo, deixa todo mundo com frio na barriga, mas na hora H está lá... brilhando!

Ficamos todos muito contentes com a notícia. E você já sabe, né Thamy: Se precisar jogar a "urucubaca" pra lá no Pega Fogo e só ir ensaiar no solo sagrado do pátio da prefeitura. Nós do Santo e a Porca fomos lá 2x essa semana. Se não decolar agora, nem o Constantin daria jeito.

Mas o importante é que a Thamy está de volta, e o seu Pega Fogo também. Assim vamos poder ver a impagável sequência entre ela e o Fabião... onde eles exageram:

PEGA FOGO - Então o Sr. sabia que eu era inteligente, mas pensava que fosse egoísta, assim como feio?
SR. LEPIC - Pra começar, não és feio.
PEGA FOGO - Mamãe diz isso o tempo todo.
SR. LEPIC - Ela exagera.
PEGA FOGO - O professor de desenho me acha bonito.
SR. LEPIC - Ele também exagera.



Thamy, agora você precisa pagar a sua promessa. Vai ter que depilar a perna!
E relaxa um pouco, porque essa história de ficar se dedicando ao extremo, usar banheiro masculino, fazer regime, ficar olhando o piruzinho, fazer xixi em pé e prender o seio, está fazendo o Eugênio Kusnet dar reviravoltas no caixão!!! Desse jeito eu vou ter que dar razão ao Tiago e você não vai poder participar do "item 17": Batidas.

Ah... para terminar, só mais dois comentários: A Bárbara está tão empolgada com a idéia de participar dos Saltimbancos que já fez sua matricula no Balé do Conservatório. Força Barby! E o Thiago Pernilongo, depois de lançar seu nome artístico (Thiago Marinelli) vai levar nessa segunda-feira o mais novo integrante do grupo O Santo e a Porca. É sério... amanhã vocês vão conhecer o nosso sexto elemento.

Um abraço pra todo mundo,
Rafa!


Quinta-feira, Novembro 20, 2003
Oi gente...

Hoje nós do "O Santo e a Porca" fomos ensaiar no pátio da prefeitura, já que o Conservatório não abriu em virtude do Dia Internacional da Consciência Negra. Acho que só o Conservatório fechou, né?!? Porque eu e quase todo mundo que conheço trabalhou o dia inteiro. Como sempre, conversei com várias pessoas que nem sabiam do que era o feriado. Mas o pior eram os que sabiam, mas não entendiam o que significava a Consciência Negra. Para esses, segue uma imagem muito bem bolada pela nossa colega Raquel, que desenvolveu um personagem negra, em conflito com a sua identidade racial.



Show de apresentação da Raquel...

Um beijo à todos, Rafa!


Quinta-feira, Novembro 20, 2003
Oi Gente...

Hoje não consegui deixar de escrever. Como ficamos muito emocionados nesta noite, mesmo com muito sono resolvi escrever um pouco.

A quarta-feira no ccg começou com o maior fiasco da história do nosso 1º ano. A nossa apresentação do "Sonhos de uma Noite de Verão" foi digna de um filme de terror... mas vou confessar que gostei de fazer!!! É isso mesmo... gostei, porque já fazia algum tempo que não exercitávamos um pouco de nossa improvisação... e a tônica da apresentação foi exatamente "improvisar". Mas mais uma vez confesso... adorei... foi divertido fazer!. Foi divertindo ver Eu, a Pri, o Jefferson, a Naira, a Amanda, o Fabinho, o Thiago, a Ana e a Luana rebolando para conseguir agradar um pouquinho!

E se divertir, é o que não pode em hipótese nenhuma deixar de existir no nosso grupo. A Bárbara se colocou muito bem quando disse que precisamos reencontrar a alegria de estarmos em busca de um resultado em grupo. Como já me confessei 2 vezes, vou confessar a 3ª... em um país onde não existe apoio governamental para a formação e produção de arte e cultura, somos verdadeiros privilegiados por estarmos conseguindo estudar teatro.

Os acontecimentos desta noite, de uma maneira bastante singular, tocaram cada um de nós de uma forma muito pessoal, mas tenho certeza que fez soar um desejo de agarrar essa oportunidade que estamos tendo, de uma maneira tão forte... com as duas mãos... com os 10 dedos... que AGORA VAI!!!

A foto abaixo é uma ilustração muito bonita da nossa turma, toda unida em cima do palco. Eu gosto muito dessa foto porque mostra o quanto nós somos capazes de sermos felizes juntos...



E essa outra foto é das nossas lindas Cacildas, como nós mais gostamos de vê-las... realizadas!!!



Vou fazer das palavras da Pri, as minhas: "Estou muito feliz de estar hoje nesse grupo, porque hoje, nós conseguimos nos unir de maneira organizada."
Como diria Paulo Miklos: "vou ser feliz e já volto".

Um beijo à todos,
Rafa!!!


Quarta-feira, Novembro 19, 2003
Oi Pessoal...

Essa semana eu e o Tiago Gonçalves estávamos lembrando de uma cena muito engraçada do maravilhoso "Indiana Jones e a Última Cruzada". O mais fantástico desse filme, é como Spielberg e George Lucas conseguiram achar o equilíbrio perfeito entre aventura, comédia e suspense.

Uma das minhas cenas favoritas, é quando Indiana Jones e seu pai são capturados pelos nazistas. Os alemães começam a interroga-los sobre onde está o "mapa sem nomes" do diário do Dr. Jones. Indiana entregou o mapa para o seu amigo Marcus Brody, que nesse filme faz um tipo bastante atrapalhado e desastrado.

Sabendo que Marcus não teria muita chance contra o exército alemão, Indiana resolve assustar um pouco os nazistas inventando algumas mentiras a respeito de Marcus, tentando assim, dar alguma vantagem ao colega (que segundo o próprio Prof. Jones "conseguiu se perder dentro do próprio museu").
Para quem não se lembra de quem é o Marcus, veja a foto abaixo:



O resultado acabou sendo um texto afiado e bastante engraçado. Vejam:

Dra. Schneider - Havia um mapa no diário. Um mapa sem nomes, com a rota para o canyon da Lua Crescente.
Indiana - Isso Mesmo.
Donovan - Onde está o mapa?
Dra. Schneider - É inútil, não vai dizer. Não precisa. É óbivio onde está. Ele deu a Marcus Brody.
Prof. Jones - O pobre Marcus? Ele não foi feito para essas coisas!
Donovan - Será fácil encontrá-lo.
Indiana - Nunca. Está com dois dias de vantagens e tem amigos em toda parte. Fala 12 línguas. Conhece os costumes locais. Vai desaparecer totalmente. É provavel que já tenha o Graal.

Em uma sequência seguinte, Marcus aparece no meio de uma estação de trem lotada, no meio do Cairo. Ele está mais perdido do que cego em tiroteio, cheio de penas de galinha no terno e suando como uma bica e falando no meio do povo:
Marcus - Alguém fala inglês? Ou Grego Arcaico


O filme é fantástico. Tem diversas sequências como essa e está (finalmente) disponível em DVD junto com dois primeiros filmes da série, mais um exclusivo só de extras.
É um momento único para ver Spielberg, Lucas Harrison Ford e Sean Connery juntos e em grande forma. Fiquei até com água na boca depois de conversarmos sobre o filme. Acho que vou pedir uma pizza e assistir o três capítulos de uma vez só...

Um beijo à todos,
Rafa!


Domingo, Novembro 16, 2003
Oi Gente...

Esse é o primeiro post que estou colocando no meu Blog. Espero que as coisas que eu vou escrever aqui agradem a todos, pois eu estou me divertindo muito com essa idéia de poder falar e "postar" os meus pensamentos para vocês.

Como não podia deixar de ser, vou falar da nossa apresentação cênica que acontecerá dia 3 e 4 de dezembro no teatro do Conservatório Carlos Gomes as 19h. O nome da apresentação será "Cacilda Becker". Espero ver todos vocês lá assistindo, porque eu e parte do grupo estamos dando um duro danado para a apresentação ficar impecável.


Esse é o poster da apresentação que eu fiz.

Nele, além da foto grande da Cacilda, eu usei as fotos individuais das grande atrizes Danielly Viegas, Priscila Menegazzo, Naíra Pinheiro, Thamy Quintanilha, Daniele Borges e Ana Helena Toledo. Ficou bonito, né!?!?!

Bom pessol!!! Espero ve-los lá... e dessa vez não vai ter desculpas, porque a apresentação será de graça!

Um beijão, Rafa!


Entrevista: Augusto Boal


O humanismo anti-opressor de Boal

"O ser torna-se humano quando descobre o Teatro!"

Augusto Boal, 73 anos, criou o Teatro do Oprimido, e o leva às ruas, à mais de 37 prisões e trabalhadores sem-terra. Não bastasse, é conhecido e admirado em mais de 70 países. Nesta entrevista, Boal fala sobre teatro, consumo e política. Tudo sob um único ponto de vista: o de um brasileiro.

Você concorda que o seu teatro está cada vez mais reconhecido no exterior e cada vez menos conhecido no Brasil?
Não. Ele é cada vez mais reconhecido no exterior quanto no Brasil. No Brasil atualmente nós estamos trabalhando, começamos no ano passado em 37 prisões do estado de São Paulo. Esse ano nós vamos começar em seis estados diferentes e não apenas em São Paulo. Fora isso nós trabalhamos com o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra no Brasil inteiro também. No Rio de Janeiro nós estamos atualmente com seis grupos que fazem o que nós chamamos de Teatro Legislativo. Em Santo André e São Paulo nós trabalhamos no Orçamento Participativo. A intensidade de trabalhos no Brasil é cada vez maior, cada vez temos mais âmbitos nos quais estamos trabalhando. No mundo inteiro o Teatro do Oprimido também está se desenvolvendo em 70 países, com mais de 30 anos. Nós acreditamos que isso se deve ao fato que o Teatro do Oprimido não é um catecismo, um depositário de recomendações que diz se a pessoa deve se comportar dessa maneira ou da outra, mas, ele é ao contrário, um sistema no qual as pessoas podem transformar em teatro as suas próprias vidas e podem, no presente, analisar o passado pra inventar o futuro. Isso, evidentemente, me agrada muitíssimo e agrada a quem faz o Teatro do Oprimido em qualquer parte.

O Teatro do Oprimido é um instrumento de compreensão da realidade...
Exatamente. Como o teatro em geral é uma transcrição da realidade, não é a reprodução, é uma representação do real. Isso facilita com que as pessoas como expec-atores e não como expectadores, entrando em cena, se reconheçam, vejam quais são os problemas que eles realmente tem, mas de uma forma global, porque esta é uma linguagem geral, uma linguagem total. O teatro usa, contém, todas as linguagens - o som, a voz, a cor, o traço, as idéias, a poesia, a música, o movimento. Então como é uma linguagem global é possível entender muito mais do que às vezes vendo só uma realidade ou participando dela sem vê-la. O Teatro do Oprimido também tem a opção de não fazer uma crítica direta, como a dramaturgia brasileira ou outras fazem, porque nele o que interessa mais é a questão da ação, da participação do público. O que a gente quer é que o expectador se transforme, dentro de cena, em protagonista de sua própria vida. A gente acha que o Brasil, não só o Brasil, mas em muitos países, o povo mesmo é relegado a uma posição secundária, subalterna, a uma posição de não apenas consumir o produto teatral, mas pior, apenas consumir as decisões políticas. De obedecer às decisões políticas sem participar delas. O que nós queremos é que cada vez mais, os povos, tenham acesso ao conhecimento e o teatro é uma dessas formas de conhecimento pra que eles possam se transformar em protagonistas da ação. E não apenas ser o expectador da ação dos políticos, não apenas o expectador da ação dos milionários, dos poderosos, mas que ele seja também parte desta sociedade, que ele flua no caminho desta sociedade.

Pegando um gancho para o Teatro Legislativo, como acontece isso na prática?
Normalmente no Teatro Legislativo, a gente vai numa comunidade, ou num grupo temático - nós temos um grupo que é de empregadas domésticas, e elas não moram na mesma comunidade mas tem o mesmo tema, ou seja, um grupo temático ou um grupo de comunidade, e a gente não impõe nenhuma idéia, não impõe nenhum tema, nada. A gente apenas ajuda essas pessoas através de exercícios - no meu livro "Jogos para atores e não-atores", eu tenho uma coleção de quase 500 exercícios, nós fazemos exercícios desse livro, e depois desses exercícios a gente chega às improvisações. Das improvisações, sempre feitas pelo grupo e não por nós, se extrai os diálogos, as cenas, e mais tarde a cenografia, trabalha-se a dramaturgia, são elas próprias que fazem isso. Uma vez feitos estes espetáculos, criados assim, são apresentados pra sua própria comunidade e depois os expectadores entram em cena e fazem questões. As questões apresentadas são redigidas e um grupo seleciona e trabalha em cima dessas sugestões, depois o grupo apresenta não apenas para a sua comunidade, mas em diálogos com outras comunidades e apresenta também na rua. Feito isso, as sugestões todas que foram dadas, são transformadas em projetos de lei. Quando eu era vereador no Rio de Janeiro eu mesmo apresentava os projetos de lei. Agora que eu não sou mais vereador, nós temos colegas, companheiros, que apresentam. E temos a primeira lei, quando eu estava lá tivemos treze leis que foram aprovadas e promulgadas. Agora que eu saí, a primeira lei foi promulgada, através do Chico Alencar.

Que lei?
É uma lei que considera como sendo tempo de trabalho as aulas grátis que são dadas para comunidades pobres. Tem outras como a que é contra
a discriminação homossexual. Tem também leis contra a discriminação racial. Tem leis a favor das testemunhas de crimes(base da lei federal de proteção as testemunhas), uma coleção muito grande de leis, são 13. Algumas são mais episódicas, como construção de creches, de escolas públicas, e outras são bem mais gerais.
Isto é da maior importância porque saiu da população mesmo


Como se processam os desejos do ser humano dentro da sociedade de consumo?
Como você sabe, a televisão e os meios de comunicação em geral estão a serviço dos mercadores. A gente fala mercado, mas o mercado é apenas um local, é apenas um método. Os mercadores invadiram tudo. Você não pode sair na rua sem que você veja por toda a parte uma poluição visual imensa, dizendo o que você deve comprar, o que você deve beber, o que você deve comer, como é que você deve se vestir, são todas imagens imperativas, que dizem, faça isso, faça aquilo. Você vê televisão, não pode ver um programa, sem que ele seja cortado a cada 5 minutos com outros 5 minutos de propaganda. Então chega um momento que se processa dentro do expectador uma prótese do desejo, o desejo dele é arrancado e é medido dentro do mercado. O que eu vejo é que as pessoas brasileiras, e na maior parte do mundo, vivem querendo comprar o último modelo de cada coisa, jogando fora coisas que são absolutamente úteis e funcionam para substituir por outras que estão na moda.

E como que se dá uma luta contra isso? Uma luta individual?
Acho que individual não tem jeito, acho que tem que ser coletiva. A gente é indivíduo, mas um indivíduo sozinho não é nada. Não adianta nada eu falar o que estou falando para você se ficar na frente da minha janela e falar para o vento. Falar para você é sair no jornal, então acho que não será mais individual. Já sou eu comentando o que penso com as pessoas que vão ler isso agora. Então já se socializa um pensamento. As pessoas podem estar de acordo, eu espero que todas estejam, mas sempre tem aqueles que irão dizer que não pensam desse jeito. Então diga o que pensa. O importante é que as pessoas digam aquilo que pensam e não basta dizer não, é preciso dizer o que é que estamos a favor. Tem que dizer sim também. Sim a que continue o mundo como está? Sim a este mundo mais desmoralizado como a gente está vendo? As pessoas sempre dizem: "mas e o exemplo dos Estados Unidos?". O exemplo dos Estados Unidos é o pior do mundo. É um país que não é uma democracia e finge que é, lá você sabe que as pessoas votam - nem votam, porque mais da metade da população que poderia votar não vota - então tanto faz um como o outro, e as pessoas falam: "mas o comércio lá, a indústria lá, são exemplos". São exemplos do quê? De corrupção? Você vê companhias lá, baseadas na mentira e corrupção, própria do capitalismo que é glutão e quer comer cada vez mais . E o que temos que fazer não é voltar a experiências fracassadas do passado, mas inventar o futuro. Esse é o projeto do Teatro do Oprimido.

Inventar o futuro significa desenvolver a identidade da pessoa?
Da pessoa e das pessoas e dos grupos sociais, né? É que atualmente o mundo está tripartido. Tem a humanidade que é dona, controladora do mercado. Tem a segunda humanidade que é a dos consumidores do mercado. E tem a terceira humanidade que é quase toda a África, quase metade do Brasil, 20% dos países como os Estados Unidos, de miseráveis, quer dizer, que não estão inseridos no mercado, humanidade descartável. O que a gente tem que fazer é lutar pra que exista uma só humanidade e não as três que estão existindo hoje.

Saiu recentemente (edição de julho de 2002)na Veja um artigo do Diogo Mainardi fazendo uma série de críticas ao Teatro do Oprimido...
Não, ele não fez críticas, ele deu elogios imensos. Ele falou, por exemplo, que em Ribeirão Preto 300 crianças estiveram fazendo teatro contra a dengue. Eu acho isso extraordinário. Falou que a Marta Suplicy botou 8 mil pessoas discutindo o futuro de São Paulo, como é que São Paulo poderia ser uma cidade mais bonita, mais feliz. Isso eu acho um elogio fundamental. Falou que em Santo André o governo pergunta a população o que o deve ser feito com o orçamento. Elogio maior do que esse não existe. Então deu todos esses elogios e depois deu o elogio maior a mim, de dizer que eu sou responsável por isso. Eu acho que não, não posso aceitar esse elogio, não sou eu sozinho. São essas 8 mil pessoas em São Paulo, essas 300 crianças, o artigo dele é extremamente elogioso. Mas como ele é uma pessoa raivosa, depois de ter confessado a importância do Teatro do Oprimido, ele tinha que dizer alguma besteira. Fala que todo teatro é uma porcaria. Do Teatro do Oprimido até que ele só fala bem porque pelos exemplos que ele deu e pelos quais ele me considera responsável, são exemplos maravilhosos. Então quem lê isso fica encantado, fala "mas Boal, você conseguiu isso mesmo, que coisa linda". Agora depois, como ele fez esse elogio extraordinário ao Teatro do Oprimido, ele se achou na obrigação de falar mal de todo o teatro. Então ele fala que as igrejas evangélicas devem ocupar os teatros porque os teatros são inúteis. Ele acabou de mostrar a utilidade dos teatros. Então ele é de uma burrice espantosa, isso faz com que ele não saiba o que está falando. É uma pessoa que você não pode dar crédito, nem no elogio, nem na crítica, porque ele não sabe o que fala. Na semana seguinte, ele escreveu que veio ao Rio de Janeiro fazer uma reportagem, mas que todos os compositores importantes já tinham morrido. É de uma burrice, de uma surdez espantosa, então ele vive dando um espetáculo triste dele mesmo.

Como é que você vê a dramaturgia brasileira atual?
Ninguém vê. Porque a dramaturgia brasileira, se você considerar que o Brasil é imenso, as pessoas às vezes conhecem aquilo que está sendo feito em teatro, mas conhecem o que está sendo feito no Rio e em São Paulo. Ninguém sabe o que se faz no Recife, no Amazonas, no Mato Grosso, ninguém sabe o que faz. A gente sabe que tem muita coisa boa e como toda a dramaturgia tem coisas boas e coisas péssimas. A resposta seria a mesma se você me perguntasse "e a França, como está a dramaturgia francesa?". A pergunta que se fez serve pra Inglaterra, França, pros Estados Unidos e a resposta também serve.

Quem são os oprimidos hoje no Brasil?
Os negros, porque não podem dizer que "black is beautiful", as mulheres, porque estão relegadas a um papel secundário, você vê que nos ministérios não tem nenhuma mulher, e raramente aparece uma mulher no ministério, então em posição de poder raramente aparecem mulheres. São os camponeses que no Brasil que tem 8 milhões e meio de kms quadrados de extensão, e a maior parte desta terra está desocupada e não se pode ocupar, são os desempregados que nem sequer emprego tem, são os empregados que tem emprego mas são explorados, são os estudantes que não tem uma educação, são os doentes que não tem hospital com remédios... Quer dizer, falar hoje, no Brasil, de opressão, é dizer "quem não é oprimido? Quem não é oprimido são aqueles extremamente poderosos que estão se dando muito bem. Hoje saiu no jornal, o Brasil é o septuagésimo terceiro país em qualidade de vida, quer dizer, 72 países estão lá na frente, entre 170. Quer dizer, é uma miséria que um país tão rico como esse, tão cheio de possibilidades, tenha sido levado pelos últimos governos e pelos governos que temos tido a essa situação.

Para o oprimido falar de si mesmo, é mais fácil ele falar no teatro do que na vida real?
O oprimido fala da situação dele pelo teatro muito mais fácil do que pela palavra só. Aconteceu uma coisa muito linda em nosso grupo de empregadas domésticas que uma mulher, fez um espetáculo e começou a chorar. E aí nós perguntamos por quê ela estava chorando e ela disse que depois que ela fez teatro do oprimido, depois que entrou em cena, depois que ela mostrou o que pensava e o que sentia, ela se olhou no espelho e pela primeira vez ela viu uma mulher no espelho. Então nós perguntamos o que ela via antes e ela respondeu que "antes via uma empregada doméstica e agora eu sei quem eu sou". Então essa mulher que se viu no espelho porque antes se viu no teatro, dizendo o que pensava e o que sentia, é o que acontece com todos os oprimidos que usam o teatro do oprimido como forma de liberação.

Como é aquele episódio do episódio do qual saiu um dos nomes de seus livros, o "Aqui Ninguém é Burro"?
É que na Câmara do Rio de Janeiro eu disse pro políticos que tinham votado a favor de uma isenção monstruosa de impostos que eram todos ladrões e eram burros e um dos vereadores foi se defender e disse que eu sabia muito bem que ali ninguém era burro. Quer dizer, ladrões eles aceitavam que fossem. Esse livro tem vendido bastante porque conta o que é por dentro a Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro e por extensão um bom número de câmaras de vereadores do Brasil inteiro.

Como é participar do despertar de uma consciência política para você, que já foi político e participa do Fórum Mundial Social.
Eu nunca fui político no sentido de querer seguir uma carreira política. Agora, participar de fóruns políticos eu sempre participei, porque eu acho um absurdo que uma pessoa não participe. Eu acho que uma pessoa que vive no mundo já participa de uma vida política. Se ela diz "eu não quero participar da política", esta é uma atitude política. E essa atitude do desinteresse, do "deixa isso pra lá", é uma atitude política que a gente deve combater. Dizer eu não participo é uma forma de participar. É uma forma que você está vendo uma luta entre duas forças desiguais e você não toma partido, você está a favor do forte. É isso o que as pessoas às vezes fazem sem se dar conta.


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Layout & Webmaster: Rafael Santin - Estréia, 16 de novembro de 2003 S
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